5.5.13

Primeira viajem à Libéria

Teve inicio no dia 1 deste mês de Maio, uma das maiores aventuras da minha vida, a primeira viagem, de muitas, em trabalho para a Libéria.


No dia da viagem não fiz la muito bem o plano e acabei por ir para o aeroporto demasiado cedo. Troquei la uns dólares, almocei um belo de um bacalhau com natas por apenas 10€ (nada mau para um aeroporto), check-in, embarcar e eis que a viajem inicia rumo a Marrocos nesta peça de engenharia:

Um ATR 72 muito usado nos voos para a Madeira e Açores.




Esperava-me então uma viajem de quase 2h até Casablanca, Marrocos, no qual tive direito a petisco:
Meia sandes de frango com meia sandes de queijo e um suminho de laranja.


E não é que depois do lanchinho fiz uma visitinha ao Algarve?


Casablanca foi uma total seca. Quase 7h num aeroporto "seco", com pouca vida, em obras, com muitas lojas fechadas, e com o mesmo CD a tocar constantemente, um daqueles maravilhosos cd's que se vêm à venda na Praia no pico do Verão: As mais belas 20 canções em Flauta de Pã (parece que lá faz mesmo sucesso). No meio disto tudo a incerteza de como pagar a refeição e o que comer. Parece que ali os nossos vizinhos aceitam 5 tipos de moedas diferentes. Nada mau, paguei em Euros, e comi um Chwarma de frango (mais conhecido por Wrap). A única coisa a fazer era nada mais nada menos do que jogar Solitário no telemóvel enquanto este carregava, e também ir vendo os aviões lá atrás a passar:


Por volta das 23h30 iniciou o embarque para mais uma viagem. Desta vez num Boeing 737-800:
Infelizmente a noite e a pressa são inimigas de boas fotos.


Desta feita, seguiam-se 4h de viajem até ao Roberts Internacional Airport na Libéria. Tendo em conta as horas, estendi-me ao comprido nos dois lugares vazios junto do meu, e com a mantinha que me deram e as almofadas desses três lugares, cai redondo. Nunca pensei foi que me fossem acordar para uma surpresa da qual não estava à espera, jantar. E que jantar:
Peito de frango com batatinha cozida e ervilhas (que escusado será dizer que voltaram para trás), acompanhado de salada de pimentos e pepino temperado com limão, copinho de água (não gostei do sumo, pão, um molho esquisito e de sobremesa um iogurte natural com açúcar. Findada a ceia voltei pá sorna.


Ao chegar, a antecipação do calor já preenchia a minha mente, mas nunca pensei que o que me fizesse mais diferença fosse a humidade. Como que entrar dentro de uma casa de banho na qual se tomou um longo banho de água a escaldar e o vapor de ainda está lá todo. Depois todos os procedimentos habituais, verificação do passaporte, levantamento de bagagem e por fim, uma hora de viagem de carro até Monróvia, a capital. Eram cerca das 5h30 portuguesas quando conheci o meu primeiro vale dos lençóis liberiano.

8.6.12

A pequena Grande Revelação do final dos anos 90

Para referencia, o artigo original foi publicado a 10 de Abril de 2012.

Hoje decidi fugir um bocado do tema e escrever sobre algo que tenha acontecido neste dia, e para decidir qual o ano de referência optei pelo mesmo ano do meu nascimento, 1988. Assim, após uma breve pesquisa, descobri que hoje faz precisamente 24 anos, o actor Haley Joel Osment.

Natural de Los Angeles, CA, começou a sua carreira com uma publicidade para a PizzaHut quando tinha apenas 4 anos, tendo nesse mesmo ano uma participação numa serie televisiva. No primeiro papel do grande ecrã contracenou juntamente comTom Hanks em Forrest Gump onde desempenhava o papel de filho da personagem principal do filme, que tinha por graça o mesmo nome de seu pai, em1994. No decorrer dos anos 90 teve alguns papeis regulares e/ou recorrentes em várias series televisivas, e outros filmes de onde se pode destacar o filme Bogus com a irreverente Whoopi Goldberg e o sempre talentoso actor francês Gérard Depardieu, em 1996.

Mas foi em 1999 que este rapazinho alcançou o estrelato, contracenando com Bruce Willis em The Sixth Sense. Cole Sear, o pequeno rapaz que protagonizou, era uma pequena criança psíquica que tinha a capacidade de ver e falar com os mortos. Com este papel ganhou o Saturn Award pela melhor performance de um jovem actor, e foi ainda nomeado para melhor actor secundário para os Acadamy Award tendo-se tornado no segundo actor mais jovem a ser nomeado nesta categoria. Uma das suas frases no filme “I see dead people” tornou-se um ícone do cinema internacional sendo ainda hoje utilizada numa vasta panóplia de números e representações cómicas pelo mundo fora.

Em 2000, foi convidado para dar a sua voz em três pequenas aparições na serie de animação Family Guy. Neste mesmo ano entrou ainda no filme Pay it Forward onde contracenou com Kevin Spacey, galardoado com um Oscar neste filme, e ainda com Helen Hunt.

Em 2001 retorna ao estrelato com o filme A.I., Artificial Intelligence, que lhe garantiu um segundo Saturn Award desta vez como melhor actor jovem e foi ainda reconhecido por Roger Ebert, um critico de cinema, como um dos melhores actores a trabalhar em cinema naquele ano.

Com o passar do tempo fez alguns filmes com menor reconhecimento e deu voz a muitas personagens da cinematografia animada, bem como a indivíduos do mundo dos vídeo-jogos.


Artigo Original: Revista Orlando

4.6.12

O Cadillac dos Céus

Muitas das pessoas quando ouvem falar em mustang pensam logo em cavalos, e alguns eruditos, pensam ainda no carro americano produzido pela Ford. Pois bem, na minha cabeça, doida por aviões, só me ocorre um dos melhores e mais conhecidos aviões da Força Aérea americana dos tempos da Segunda Guerra Mundial.

Este “pequeno” avião foi desenvolvido e produzido pela North American Aviation, e fez o seu primeiro voo a 26 de Outubro de 1940. A destacar, o modelo B, que foi utilizado pela RAF (Royal Air Force) com o objectivo de fazer reconhecimento táctico, tendo sido mais tarde adaptado para bombardeiro ligeiro. O modelo D, destaca-se como o caça por excelência da USAAF (USA Air Force), tendo servido em todas as frentes de combate. Foram produzidos, entre todas as suas 21 variações, um total de 16766 aeronaves, sendo que 8156 desses são do modelo D, cerca de 48%. Muitos dos caças americanos serviram ainda na guerra da Coreia e Vietnam como bombardeiro ligeiro, embora já existisse o jacto, e em alguns países serviram forças aéreas até aos anos 80. Actualmente, os que ainda voam, são exemplares sobreviventes que foram convertidos para a aviação civil, tendo sido desarmados e equipados com instrumentos mais actuais.

Este modelo conta com um comprimento de cerca de 10 metros e uma envergadura de aproximadamente 11,3 metros. É capaz de atingir velocidades na ordem dos 700 Km/h (quase 6 vezes mais que o limite de velocidade máximo nas auto-estradas) conseguindo percorrer cerca de 2 755 Km de distância, a altitude máxima de 12 000 metros.

Também com presença marcada no grande ecrã, destaco duas cenas e um filme onde este avião se tornam fulcral para a história, embora apenas como elementos secundários. Em O Império do Sol de Steven Spielberg, o pequeno Jamie vê a sua vida mudar drasticamente com a ocupação Japonesa de Hong-Kong. Depois de um longo período de cativeiro no campo de Soo Chow, vê a sua esperança renovada quando ao observar as actividades do aeródromo chinês capturado, este é subitamente atacado por P-51D’s, aos quais, em êxtase, apelida de “Cadillac of the skies”. Já n’O Resgate do Soldado Ryan, também de Steven Spielberg, a ultima batalha do filme, que já parecia perdida, leva uma reviravolta quando o Capitão Miller, quase a perecer, vê miraculosamente explodir um tanque ao disparar a sua pistola quando por ele sobrevoa um P-51D, como pode conferir aqui ao minuto 4:10. Mais recente há ainda Red Tails de Anthony Hemingway que retrata a história de uma esquadra de Afro-Americanos no programa de treinos Tuskegee, que se veem mantidos em terra devido á exclusão social da altura, mas que após algumas reivindicações dos seus direitos são chamados para a frente de batalha onde integram uma esquadra de P-51D.


Artigo original: Revista Orlando

1.6.12

O porquê de Aeronáutica

Desde pequenino, que ouvia histórias do meu pai dos seus tempos de tropa na Base Aérea de Monte Real, a mais importante. História de homens de coragem que todos os dias levantavam voo nos seus pesados aviões a jacto e faziam proezas dignas de filmes. Com o passar dos anos a admiração pelos objectos voadores desvaneceu, tomando conta de mim o bichinho pelos mecanismos e pela informática recreativa (aka. jogos). Já no limiar da adolescência comecei, mais uma vez incentivado pelo meu pai, a ir a festivais aéreos, sendo o primeiro um Festival da Força Aérea Portuguesa em Aveiro em que tive um contacto mais físico com as aeronaves que ali estavam expostas, chegando mesmo a entrar no cockpit de um F-16 (o nosso jacto actual mais potente). Nesse mesmo ano fomos ainda a outro festival aéreo em Coimbra, onde tive o meu baptismo de voo. Ai a admiração voltou e decidi-me em ingressar pelo ramo da aviação, tendo ido a outros festivais noutros anos e inclusivamente visitar a Base de Monte Real algumas vezes. No entanto desconhecendo o curso da Covilhã e não gostando dos ambientes de Lisboa, vi como única solução o ingresso na força aérea. Como rapaz franzino que sou e pouco convicto do exercício físico acabei por abandonar também esta ideia. No terminar do secundário, tomei conhecimento do Curso de Engenharia Aeronáutica na UBI, e já homem convicto de uma carreira nos ramos da biologia, na altura de me candidatar não hesitei e foi esse o curso da minha primeira opção. Hoje Sou finalista desse mesmo curso de aeronáutica e a cada dia que passa me fascina mais ainda a capacidade de um avião voar.

Artigo original: Revista Orlando

26.3.12

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa…

 


 

No outro dia a passear pelo 'Faces' descobri esta maravilhosa reflexão sobre o novo Acordo Ortográfico.

Gostava de saber quem foi o autor, nas não estava identificado pelo que não posso deixar os devidos créditos pela elaboradissima crítica. Apesar de um bocado extenso, vale a pena ler.


Aqui fica então:

"Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som “ch” .
O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.
Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?
O “x” xama-se “xis”.
Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .
O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som “j” .
Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .
Serto ?
Maix uma letra muda qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .
A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a” .
Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .
Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o “u” ?
Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !
Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :
quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .
U mexmu para u som “ê” .
Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .
I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?"

Da qe pensar serto???